
Antonio Bucci -
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O setor bancário global atravessa um ponto de inflexão crítico:
apesar de lucros recordes de US$ 1,2 trilhão em 2024, os mercados
avaliam os bancos quase 70% abaixo de outros setores. O relatório
da McKinsey & Company, os livros Bank 4.0 (Brett King) e
World's Best Bank (Robin Speculand), além de entrevistas com
líderes do JPMorgan Chase, DBS Bank e Itaú Unibanco, convergem em
um diagnóstico comum: a era da escala ("heft" - o peso, robustez e
capacidade operacional de um banco competir em larga escala)
acabou. O novo paradigma é a Precisão - o uso cirúrgico de dados e
Inteligência Artificial Agêntica para oferecer serviços financeiros
hiperpersonalizados, ubíquos e invisíveis ao cliente.
A transformação estrutural é impulsionada pela Inteligência
Artificial Generativa e Agêntica. Instituições comoJPMorgan Chase-
que disponibilizou sua plataforma LLM Suite para mais de 200 mil
funcionários e projeta 1.000 casos de uso de IA até 2026 -,Morgan
Stanley- com 98% dos advisors usando assistentes de GenAI -,Goldman
Sachs,Bank of America,HSBC,BNY Mellon,CitieWells Fargolideram a
adoção global. No Brasil, destacam-seNubank- parceiro da OpenAI e
posicionado como banco AI-native -,Itaú Unibanco- com mais de 1.000
modelos de IA ativos e a plataforma "Inteligência Itaú" como
middleware de governança -,Bradesco- com resolução de 90% dos
atendimentos via chatbot GenAI e redução de 40% no tempo de call
center -, além doBanco do Brasil, daCaixa Econômica Federale doBTG
Pactual. O referencial teórico é oDBS Bankde Singapura - eleito o
Melhor Banco do Mundo -, que sob liderança de Piyush Gupta
reinventou-se como "empresa de tecnologia que faz serviços
bancários", adotando o lemaLive More, Bank Lesse tornando o banco
invisível na vida do cliente.
Quatro pilares estruturam essa transformação.O primeiro é a IA
Agêntica e Predição: a IA evoluiu de chatbot para agente autônomo
capaz de planejar, decidir e executar tarefas financeiras complexas
- com redução de custos operacionais de até 70%. O verdadeiro
diferencial competitivo, conforme Derek Waldron (JPMorgan), não
está no modelo de IA em si (commodity), mas na sua conectividade
com os dados proprietários do banco, o chamado "fosso defensável".O
segundo pilar é o Banco Invisível("Banking Everywhere, Never at a
Bank"): serviços financeiros embutidos na vida do cliente via APIs,
sem interface bancária explícita - aprovação de crédito no
checkout, transferências por voz, seguros integrados à compra.O
terceiro é o Digital to the Core: transformação profunda da
infraestrutura (nuvem, microsserviços, APIs), não apenas "batom
digital" sobre sistemas legados - o Itaú Unibanco, por exemplo,
migra 100% para a nuvem até 2028 com mais de 1.000 modelos de IA
ativos.O quarto é a Cultura de Startup: a maior barreira é
cultural, não tecnológica. DBS Bank transformou 29.000 funcionários
em uma startup, com rituais como hackathons e prêmios "Dare to
Fail", adotando Big Techs como benchmark em vez de bancos
tradicionais.
NoWells Fargo, a estratégia de IA é liderada porSaul Van
Beurden,Head de Inteligência Artificiale Co-CEO da divisão Consumer
Banking and Lending, que desde o final de 2025 conduz a migração de
projetos-piloto para a IA Agêntica em escala - com resultados de
até 35% de aumento de produtividade dos engenheiros. As vagas mais
demandadas em 2026 são:Engenheiro de IA Agêntica Sênior(domínio de
LangGraph, CrewAI, AutoGen e Google Cloud Vertex AI);Cientista de
Dados Sênior(modelos supervisionados e não supervisionados, RAG,
Deep Learning e bancos de dados vetoriais, com formação em mestrado
ou doutorado em área quantitativa); eConsultor/Líder de Soluções em
IA(foco em Contact Center as a Service e métricas de desempenho de
modelos). Transversalmente, o banco prioriza a "fluência em IA" em
todos os perfis, opera programas internos de requalificação
denominados "colégios" de Consumer e Operations, e valoriza
candidatos com domínio da plataformaGoogle Cloud (GCP)-
disponibilizada em mais de 180 mil desktops -, experiência com
sistemas autônomos multiagentes e consciência sobre riscos, ética e
conformidade regulatória, filosofia resumida na citação favorita de
Van Beurden:"Apenas os paranóicos sobrevivem"(Andy Grove).
A mensagem central é inequívoca: a distinção entre "banco" e
"empresa de tecnologia" desapareceu. Instituições que não adotarem
a IA como núcleo estratégico - e não apenas como ferramenta -
correm risco de desintermediação por TechFins e neobanks. As
recomendações prioritárias são:
(1) investir massivamente em IA Agêntica e plataformas de
dados proprietários como fosso competitivo;
(2) reimaginar a experiência do cliente como invisível,
eliminando fricções via APIs e ecossistemas digitais;
(3) Digitalizar o core do negócio, migrando para
arquiteturas cloud-native e construindo internamente o que gera
diferencial (modelos de crédito, personalização), comprando o que é
commodity;
(4)transformar a cultura organizacional com lideranças
tecnológicas, segurança psicológica e requalificação da força de
trabalho - pois a IA não elimina empregos, mas exige que o
profissional migre da execução para a curadoria, arquitetura e
entendimento de negócio. O banco do futuro é ubíquo, preditivo e
invisível: não um lugar onde se vai, mas algo que simplesmente
acontece.
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